quarta-feira, 27 de março de 2013

Relato do puerpério

É engraçado que mesmo após 10 meses de seu nascimento ainda me lembro perfeitamente daquele final de semana que nos conhecemos.
Depois de um trabalho de parto intenso e transformador algumas coisas rondam meu (in)consciente, tenho para mim que serão memórias eternas, mas agora,  memórias compartilhadas.
Alguns fatos interessantes aconteceram naquela tarde, logo depois que você nasceu choveu muito, dizem que quando chove no dia do nascimento é sinal de sorte. Pois bem, já me sentia uma sortuda de ter chego até ali e agora, fazendo esse balanço vejo que você é mesmo meu amuleto (não que tivesse dúvidas disso). Apesar da chuva, naquela tarde fazia muito calor, lembro que durante o trabalho de parto minhas doulas me abanavam com um leque, eu sentia frio.
Realmente, ocitocina mexe com a gente. Tanto que sai falando bobagens, parecia que estava bêbada  é muito engraçado.
Quando a gente para pensar é que entende.
 Mas nossa, que sensação maravilhosa saber que fui capaz de te trazer ao mundo com muito amor e respeito. Me sentia uma leoa, no entanto a sensação era de leveza, poderia flutuar em meus pensamentos.
Passado os primeiros minutos (ou horas) pós parto tenho você ali do meu ladinho, de macacão de cup cake  rosa, como era rosada sua pele, linda como uma flor. Dormia como um anjo (que é), não me cansava de te olhar. Aliás, é assim até hoje, não me canso de te bajular, te cheirar, te amar.
Ainda nesse dia, você dormia a noite toda, era a sua primeira fora da barriga, me lembro como se fosse hoje. Seu pai ali no sofá e no primeiro resmungo seu, ele se levantou num pulo e em segundos estava ao seu lado como um cão de guarda.
Nesta noite mal consigo dormir, te pego ainda dormindo, te abraço e choro como uma criança, ou uma menina que acabara de se tornar uma mulher. O mesmo acontece agora, enquanto arrisco estas palavras nesta madrugada quente que me rouba o sono.
Sem mais delongas, quero terminar este texto dizendo que você é a coisa mais importante da minha vida. E desde a primeira vez que olhei para você esqueci de todo o resto. Tudo que um dia pareceu importante pra mim se tornou pequeno diante da grandeza do amor que você trouxe para minha vida.

Laura quero deixar registrado todos os momentos desse inicio de vida maravihoso.

Ser mãe é a melhor coisa do mundo


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Publicado atrasado, mas foi escrito quando você tinha 10 meses.

Com seu macacão de cupcake, horas de nascida.

Com 10 meses.

Descrevendo...


São quase dois anos que você é um pedaço de mim, e há um, deixamos de ser um único ser. E hoje, é tudo o que importa na minha vida. Neste tempo escrevo, reescrevo, leio, apago e escrevo novamente para você. Isso tudo é para tentar - com palavras - dizer como você é amada, como você me transformou mulher, mãe, mamífera, leoa e apaixonada pela vida.
Sabe, uma amiga me perguntou o que mais mudou em mim depois da maternidade, e agora, parando para pensar nisso, nossa, muda muita coisa! São coisas tão maravilhosas e pequenas que mudamos e nem percebemos. Mas, sem dúvida, nos tornamos mais humanos - no sentido mais amplo que isso possa atingir - e não falo só como mãe. É fácil observar o olhar de ternura das pessoas ao seu redor, até o mais mal humorado dos seres humanos consegue ser simpático diante de ti, as gentilezas brotam em toda a parte.  
Já perdi as contas das noites que fui dormir mais tarde só para ficar olhando a carinha de brava que faz quando dorme, o biquinho e o semblante fechado, este é o momento que fica mais parecida com o papai.
Pode parecer louco, uma forma estranha de amar, mas te amo tanto que te beijo, beijo, beijo, cheiro, cheiro, cheiro, beijo e tenho vontade de comer a sua cabeça!
Há um ano, nasceu uma mãe, há um ano amo acordar todos os dias e agradecer o universo por ter você comigo.
Hoje eu te amo mais que amei ontem, e amanhã, com certeza amarei mais que hoje. Por que ser mãe é assim; descobrir a grandeza da vida nas pequenas coisas. Mais que isso, descobrir o quão forte podemos ser.
Filha, você desperta o melhor que existe em mim, posso garantir, aprendi muito mais nesse tempo com você, do que em muitos anos de graduação. Por você, estudo e me apaixono por este universo mágico que é a maternidade. Por você, eu aprendi a esperar e entender que as coisas tem o tempo certo para acontecer e cito aqui a minha amiga Regina Frontelli, em seu belo texto sobre a maternidade: "eu não tenho pressa". Realmente, com você andei em passos lentos (ainda assim passaram mais rápido que pensei), curti cada segundinho. E é assim até hoje, mas quando se tem um bebê em casa aparece cada história e cada mito - que ainda vamos rir juntas disso - não dei ouvidos as "bagatelas" da maternidade, sempre segui meu instinto  e procurei o melhor para você, e é assim desde antes de nascer... e acredite se quiser, quem dá as ordens aqui é você. Veja bem; você avisou quando estava preparada, e chegou neste mundo no dia, mês e hora de sua preferência. Colos e "mamás" nunca foram negados, teve muito carinho, amor e acalento sempre que precisou. Não existem adjetivos nesse mundo para descrever o que seus olhos dizem quando você está mamando e o que sinto ao saber que meu leite é muito mais que alimento.
A recompensa disso eu tenho ao ver a sua evolução. Sou tão orgulhosa coruja pelas suas descobertas diárias, é tão lindo te ver conhecendo este mundo (que é teu!). Peço ao universo vida longa  para nós, para que possa continuar assistindo você de pertinho.
É claro que ainda existe muitas coisas para serem ditas sobre como mudou a nossa vida. Mas vamos assim, escrever os capítulos da nossa história, sem pressa, quando der. As lembranças, aaaah! essas serão eternas.
A garantia que temos é que a solução para vida é o amor. Amor esse, que só faz crescer, junto com você.



Te amamos.


Com amor, 
Mamãe.