Relato do meu parto natural hospitalar 03.03.12 as 14h54. Um relato um tanto longo, cheio de sentimento, que tem nada como objetivo inspirar outras mulheres!
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E finalmente chegou a minha vez
de escrever sobre o meu parto, esperei tanto que esse dia chegasse. Vou tentar
relatar com o máximo de detalhes possível e por isso vou começar do começo
(hahaha), não tem como falar do parto sem falar da gravidez e de como cheguei a
decisão de um parto humanizado, por isso se preparem para um relato bem longo.
Descobri a gravidez com cinco
semanas, fruto de um relacionamento sem nenhuma estabilidade, com 10 semanas a
demissão do emprego e uma ameaça de aborto. Me vi completamente perdida e
sozinha (na época morava sozinha). Com 23 semanas, a ‘reviravolta’
voltei pra casa da minha mãe, já havia conhecido os avós da minha filha, o pai
dela aceitou a ideia e mudou seu tratamento comigo que até então era arredio.
Mas o melhor de tudo que foi nessa ocasião que descobri o parto humanizado e a
Gisele (que passou a ser minha doula e minha salvação na busca de um PNH).
Me "converti" após ler o relato do parto da
Mariana escrito pela Gisele, à partir daí começaram as buscas. Foi quando todos
os caminhos me levaram a obstetra: Mariana Simões. A primeira consulta
foi quando estava de 27 semanas, e de cara já me apaixonei, a pessoa dócil e
acolhedora, diferente de um pré-natal comum, a consulta foi quase um dia de
terapia, saí de lá com a certeza de que ela era a pessoa certa pra me ajudar a
trazer minha filha ao mundo. Por conta
dos gastos continuei o pré-natal pelo SUS (por sugestão da própria Mariana que
pediu para que voltasse na semana 37, médicos humanizados são acima de qualquer
coisa humanos, Mariana o tempo todo foi flexível em relação aos valores).
Eis
que chega a semana 37 e lá vamos nós para a consulta (digo nós porque, a Gisele
que até não conhecia pessoalmente nos acompanhou, foi também minha mãe e o
Gustavo que já tinha abraçado a causa e me acompanhava sempre desde das ultras).
Mais uma sessão terapêutica e a tentativa de não ficar ansiosa, já que poderia
ir até o dia 22 (quando completaria 42 semanas).
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Semana seguinte, carnaval, não
fui na Mariana, mas tinha combinado com a Gi a despedida da barriga (esse dia
merece um relato especial), fizemos na sexta e conheci Gleise, parceira de doulagem da Gi. Depois
disso fiquei extremamente ansiosa e contava os dias para chegada dela.
Semana
39, a consulta com a Mariana estava marcada para a quarta feira, um dia antes
de completar as exatas 39 semanas. Fui para a consulta sozinha, peguei dois
ônibus e cheguei tranquila, como se nem estive grávida, apesar das contrações
mais frequentes. Na consulta, Mari me
dava mais duas semanas (pra me tranquilizar, pq não tem como saber), sai de lá “desencanada” já que iria demorar um pouco
para conhecer minha filha. Mas não foi bem o que aconteceu, na sexta, dia 2,
minha filha resolve dar sinais de nascimento. Então vamos ao relato do grande
dia.
O grande dia.
Sexta- feira, 2 de Março, 39
semanas e 1 dia. Não estava sentindo nada de diferente, fui a manicure, passei
roupa, planejei ir ao centro da cidade no dia seguinte comprar algumas coisas
que faltavam. Por volta das 21h deitei para ver TV e comecei a sentir as
contrações mais ritmadas com um pouco de dor de barriga (aquelas dores de diarreia), dormi um pouco, às 23h falei com a Gi pelo facebook, ela me
pediu para ir pro chuveiro e tentar dormir que ela deixaria as coisas dela
prontas. Eu achando que não seria necessário, já que não tinha dor nenhuma e
aquelas contrações eram apenas prodómos (na minha cabeça), pois assim o fiz,
fui pro chuveiro fiquei uma meia hora (a Gi pediu para ficar 1hora lá, mas por
conta da temperatura da água e do calor não consegui), tentei dormir, e as
contrações não cessaram, passaram a ficar doloridas tive um pouco de diarreia, às 2 e pouco comecei anotar o intervalo entre elas e quanto tempo duravam,
achei que tava marcando errado pois vinham a cada 2 minutos e durava uns 30
segundos, desencanei e voltei a dormir, às 3h30 começou doer mais, liguei
pra Gi e durante a ligação uma contração, ela não pensou duas vezes e disse que
iria tomar banho, ligar pra Gleise e vir pra cá, perguntei se ela não achava
melhor eu ir pro chuveiro e depois ligar, ela disse que pelo tempo das
contrações (desde das 23h) não seria necessário, pois era TP mesmo.
Eu nem
estava acreditando no que estava acontecendo e ao mesmo tempo morrendo de medo
de ser alarme falso e fazer a Gi vir até minha casa atoa. Nessa hora minha mãe que estava dormindo e foi
avisada pelo meu padrasto que eu estava com dor, levantou e foi pra cozinha
fazer café e bolinhos de nó… hahaha. Às 4h30 liguei pro Gustavo avisei pra
ficar ‘a postos’.
Fui pro chuveiro com a bola e
fiquei lá horas e as contrações ritmadas e com uma leve dor. Sai do chuveiro e
fui com a bola pro meu quarto, as dores ficando cada vez mais fortes, porém,
bem suportáveis. Foi quando às 5 e pouco a Gi e a Gleise chegaram, abracei ela
e como quem pede socorro disse: “Graças a Deus que você chegou”. Fomos para o quarto, elas prepararam o
ambiente com vela e música. A Gleise sentada na minha frente e a Gi atrás de
mim me fazendo massagem, quando vinha uma contração eu colocava a cabeça no
ombro da Gleise e a Gi massageava bem a lombar. Nos intervalos Gleise me fazia
reike e ‘apertava’ os pontos de acupuntura já que eu tremia muito.
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Gleise e minha mãe |
Umas 5h30 Gustavo (que estava
em São Paulo) ligou pra saber se era realmente TP, Gleise atendeu e disse que
era sim TP mas que poderia demorar, que ele poderia dormir e quando tivesse
avançado a ‘gente’ avisava. Um pouco depois disso a Gi disse que a Mari estava
a caminho, não me lembro nem ter visto ela sair pra fazer essa ligação. Entre
uma contração e outra pedi abacaxi, tomei bastante água, até consegui comer
aquele bolinho de nó que minha mãe havia feito.
Enquanto minha mãe e a Gi foram
encontrar com a Mari, sai pra caminhar com a Gleise pelo quintal, as dores cada
vez mais fortes me deu vontade de gritar. Quando vinha uma contração segurava
no pescoço da Gleise e gritava “AAAAAAAAAAA”.
Mari chegou em meio uma
contração, me abraçou e disse “A Laurinha tá chegando!”. Ela foi me avaliar,
mas eu não quis saber (pra não causar frustrações ou ansiedade). Mari só me
disse que eu estava ótima, eu perguntei se já poderia ligar para o Gustavo, ela
me disse que poderia esperar mais meia hora, isso já eram 7h.
Quando a Mari foi embora a Gi
sugeriu que fosse para o chuveiro, mas eu não quis, queria tentar descansar já
que não tinha dormido, deitei, duas contrações e eu já não aguentava mais. Pedi
para ligar pro Gustavo e fui para o chuveiro com a bola. Ficamos um bom tempo
lá, enquanto as contrações não vinham o papo rolava solto era como se nada tivesse
acontecendo, até configurar minha câmera eu consegui!
Minha tentativa de descanso não durou 2 contrações
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Às 8h30 a Gi me disse que em
1 hora iríamos para a maternidade. Não falei nada, mas pensei “mas já?”,
confesso que fiquei com medo do que poderia vir e perguntei pra Gleise se ia
doer mais, ela disse que não e eu fiquei mais tranquila.
Não sei se foi nessa ordem, mas
minha mãe e Gleise terminaram de arrumar a minha mala, minha mãe veio me
perguntar qual roupa eu queria pra sair da maternidade (hahahaha), respondi que
qualquer uma, menos aquela que ela tava na mão. Ela resolveu ir ao mercado,
enquanto ela estava lá a Gi disse que era hora de ir, fiquei meio apavorada já
que o Gustavo ainda não tinha chego e minha mãe tinha saído. Foi quando pedi
pra Gleise mais uma vez ligar pra ele.
Quando estávamos saindo minha mãe
chegou (ainda bem!), fomos nos carro da Gi, minha mãe iria logo depois com as
minhas coisas. Eu e Gleise no banco de trás, nem sei em quantas contrações
chegamos, só sei que dentro do carro aquilo tudo me parecia pior me deu uma
grande vontade de chorar, simplesmente, chorei!
Chegamos à maternidade, uma
contração logo na recepção, não hesitei, me pendurei no pescoço da Gleise,
acocorei e gritei! Era como se não existisse mais nada além da minha dor, pouco
me importavam às pessoas que estavam ali (Rolou um stress por que queriam me
passar para um plantonista, mas a Gi resolveu logo!).
Foi só nessa hora que
descobri que quando a Mari foi me avaliar eu já estava com 5 para 6 cm!!
Elevador, outra contração, mas tinham 2 bebês ali, não queria gritar para não
assustá-los, respirei fundo e chorei baixinho (e outro stress, a moça que
estava nos levando até o quarto disse que poderia subir só uma pessoa. E outra
vez a super Gi resolveu!). Ficamos paradas em frente a uma ‘sub-recepção’ para
decidir em qual quarto eu ficaria, enquanto isso, outra contração e muitos gritos. Resolvido, veio a moça com a cadeira de rodas (oi????) eu olhei pra ela e balancei a cabeça dizendo que não, ela me perguntou se eu tinha certeza. A Gi
olhou pra ela e disse “A bacia está abrindo, você acha que não vai doer mais?”. Fomos para o elevador novamente, enquanto esperava, mais contrações e mais gritos.
Finalmente chegamos no quarto,
Mari chegou logo em seguida pra me avaliar, disse que estava ótima, saiu um
sanguinho e a Gi vibrou! Lá vou eu para o chuveiro com a bola. Mas quando menos se
espera, outra surpresa, o chuveiro não funcionava!!! Aí sim a Gi ficou furiosa!
Sei que a Gi saiu várias vezes do quarto para
tentar resolver esse problema, eu estava no ápice da dor quando chega minha mãe
e em seguida o Gustavo. Fiquei ajoelhada do lado da cama e apertava o
travesseiro a cada contração, as meninas colocaram o Gustavo pra fazer massagem
na minha lombar.
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Gustavo apertando minha lombar e Gleise de mãos dadas comigo. |
Não sei quanto tempo se passou,
mas conseguimos outro quarto, com chuveiro funcionando (oba!). Me lembro de ter
olhado no relógio e eram 10h40, fiquei sentada na bola em baixo d’água. Não
sei ao certo quando entrei na partolândia, a partir desse ponto vou contar o
que eu lembro.
A bolsa ainda estava íntegra e a Laura bem alta, estava no meu
limite quando a Mari sugeriu que rompêssemos a bolsa. Eu aceitei, mas quando vi
aquela coisa pontuda (de plástico, parecida com agulha de tricô) comecei a gritar de desespero, primeira tentativa não deu
certo (acho que foi depois disso que trocamos de quarto), segunda tentativa,
sucesso, bolsa, tampão, tudo pra fora.
de novo no chuveiro com a bola. |
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Sei que faltava bem pouco, Gi e
Gleise me incentivando o tempo todo, me dizendo que já tinha chego até ali, que
já iria conhecer minha filha. Mas tem uma hora que a gente acha que não vai
conseguir, bate um desespero. Queria parar tudo ali, descansar, e só depois
continuar, mas as contrações não davam trégua, lembro que chorei que nem
criança várias vezes, pedia pra tirar ela de mim. Não sei em que momento
exatamente, eu tava surtada e a Gi me perguntou “Vc quer uma cesárea? “ Eu
balancei a cabeça dizendo que não, apavorada.
Senti muito medo de fracassar, de
ter ido até ali e não conseguir ir até o fim. Fomos para o centro obstétrico.
Saindo do elevador vejo a minha pediatra Ana Paula Caldas, tinha pedido tanto
para que fosse ela, tudo estava dando certo.
Mas alguma coisa me travava e eu não conseguia fazer o TP evoluir.
Sentei no banquinho, Mari tentou me explicar o que estava acontecendo, mas eu
não entendia, só sabia que faltava pouco (nessa hora estávamos só eu e ela, Gi,
Gleise e Gustavo tinham ido colocar a roupa).
Mari tentando me explicar o que tava acontecendo. |
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Eles
chegaram e Mari sugeriu que ficasse de quatro para aquele restinho que faltava
sair (edema de colo, muito depois foi descobrir o que era.), fiquei em posição de saudação ao sol (yoga), nessa hora a dor era
diferente, eu tinha vontade de fazer força, parecia que ia me abrir ao meio,
quando vinha essa força a Gi e o Gu apertavam o quadril, fiquei algum tempo
assim, Mari veio me avaliar e colocou um gelo para acelerar, não sei quantas
forças eu fiz nessa posição, depois virei de lado, fiquei umas duas forças de
cada lado. Eu não conseguia olhar ninguém nos olhos, tinha medo de ver ‘dó’
ali, ficava sempre com o olhar pra baixo, levantei, tomei água, e a Gi “me
tirou pra dançar”.


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Não sei se foi nessa hora que
recebi a notícia de que tinham conseguido uma banheira, não sabia exatamente o que essa notícia significa, mas me parecia
ótimo, queria tentar qualquer coisa que me fizesse sentir menos dor. Banheira
cheia, fomos para o quarto, a primeira pessoa que vejo é a minha mãe lá na
porta, não queria olhar pra ela também, sabia que ela estava com dó de mim.
Entrei no quarto, ela segurou a minha mão e disse “Laurinha, vem conhecer a
vovó”.
Entrei na banheira e o Gu ficou
sentado do lado de fora, ficamos só nós
ali, esperando nossa filha. A cada vontade de fazer força eu ficava em várias
posições, só não fiquei de cabeça pra baixo por não tinha força para isso… haha. Não sei quanto tempo se
passou, mas me parecia que o tempo tinha parado ali. A Mari fez outra avaliação
e eu perguntei se faltava muito, ela me perguntou se eu queria me tocar eu
disse que não. Me disse: “quer saber quanto falta pra conhecer sua filha?”,
balancei a cabeça que sim, ela mostrou a ponta do dedo e disse: “falta isso”. Ela me perguntou o que eu tava sentindo, disse que tava com vontade de fazer cocô, ela disse: "então faz!".
Nessa hora que tirei forças não sei de onde, ganhei um ‘gás’, a cada
vontade de fazer força eu abria a boca com o “AAAAAAAAAA”, a Gi pedia para que
chamasse a Laura (já havia pedido em outros momentos, mas eu travava, não conseguia pedir para que minha filha viesse ao mundo, para mim era tudo surreal, parecia sonho. Mas nessa hora o sonho se tornou realidade e só quando eu aceitei isso, minha Laura decidiu nascer). Comecei a pedir que ela me ajudasse “filha, ajuda a mamãe”, fiz
algumas forças e comecei e sentir ela descendo, gritei para Gi: “o circulo, o
circulo!!!!”. Saíram correndo atrás da Mari que estava atendendo outro parto!!! (e eu só fiquei sabendo disso muito depois).

Eu me sentia uma leoa, uma
selvagem, a cada força eu fazia um escândalo, urrava. A Mari chegou eu tava de
quatro na banheira e ela sugeriu que ficasse de cócoras sustentada pelo
Gu, Laura resolveu nascer, e estavam
todos lá pra vê-la Gi, Gleise, Ana Paula e Mari. Uma força e senti ela
coroando, a Mari disse: “tô vendo o cabelinho dela”, outra força, já consegui
vê-la. E o círculo de fogo faz jus ao nome, realmente queima, repeti algumas
vezes “tá queimando, tá queimando!”. Acho que fiz umas duas forças e saiu a
cabeça, depois um pedaço do corpinho, foi quando pedi pra Mari tirar ela (a
única coisa que me arrependo).
Mari, Ana Paula e Gi, esperando Laura nascer. |
"ta queimando, ta queimando!" |
Pari minha filha as 14h54, não
chorou, veio direto para o meu colo, com o olhão aberto, observando tudo, ficamos
nos namorando por longos minutos, o cordão era tão pequeno que ela mal chegava
até meu peito. Eternizei aquele momento na memória, eu, Laura e o pai, não se
falava nada, mas se dizia muito naquele silêncio. Esperamos o cordão parar de
pulsar (que demorou uns bons minutos) e a Mari veio pedir para que saísse da
banheira porque estava alagando o corredor!!! A vó paterna, Anna Paula foi quem
cortou o cordão, saí da banheira e deitei na cama para expulsar a placenta, fiz
uma força e ela saiu, Mari verificou se teve alguma laceração, levei três
pontinhos, enquanto ela me costurava, Laura dava sua primeira mamada.
Avó Anna Paula cortando o cordão |
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Mari verificando o períneo e Ana Paula esperando pela mamada da Laura. |
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Aprendendo a dar mamazinho. |
Só depois disso, levaram ela pra
pesar e medir, mas o pai acompanhou, foi o único momento em que ela ficou longe
de mim. Laura nasceu com 2880kg e 49cm, Apgar 9/10, não tomou nenhuma vacina, vitamina K via oral, tudo aconteceu no tempo
dela, com o respeito que ela (nós) merecíamos. Foi um parto hospitalar lindo.
Graças a Deus estava com a equipe certa!
Tive a sorte de ter duas doulas
(quase 3, pq a banheira foi emprestada da doula alheia, a mesma que ajudou a
dar o primeiro mamá). Gisele Leal e Gleise Piva, vocês foram meus anjos da
guarda, me fizeram ver a luz no fim do túnel, mesmo eu falando que vocês
judiaram de mim, estava sob efeito retardado.
Minhas doulas lindas Gleise e Gi |
Só tenho gratidão por essa
equipe, Mariana Simões, Ana Paula Caldas e minhas lindas doulas, um obrigada
infinito, vocês foram essenciais para o momento mais importante de minha vida.
Um agradecimento e admiração para
o pai da minha filha, Gustavo, que esteve comigo o tempo todo, me sustentou e
aguentou firme o ‘tranco’, posso dizer que parimos, não teria sido tão lindo se
você não estive lá. Obrigada.
É claro, a minha mãe, que mesmo achando uma loucura me apoiou e
ali de longe, com dó estava me enviando forças. Agora eu sei o que é amor de
mãe.
Não posso deixar de agradecer a
família do Gustavo que ‘financiou’ a ideia e em momento algum me fizeram querer
o contrário.
Para finalizar eu tenho que
dizer, que dói, dói muito. Mas é uma dor linda, é o útero se despedindo da sua
companhia, que ficou ali por 39 semanas e 2 dias. A dor faz parte do processo e
mesmo sabendo de tudo isso, cheguei em um momento que achei que não fosse
capaz. Mas eu consegui e tenho certeza que todas as mulheres são capazes, não
deixem tirar de vocês o direito de dar a luz, não há coisa mais linda no mundo.
Ainda hoje, olho para minha filha
e fico lembrando dos momentos, passa aquele filminho e me acabo em lágrimas.
Dar a luz é magnífico, transformador, passaria por tudo de novo.
Sou uma nova mulher, me sinto
poderosa, a mãe da Laura nasceu junto com ela.